sábado, 29 de setembro de 2007

O dilúvio





O Épico de Gilgamesh

A história do dilúvio que encontramos em Génesis é provavelmente baseada num poema épico cujo protagonista é um rei sumério, Gilgamesh. Neste poema, que é considerado a obra literária mais antiga do mundo, existe um trecho sobre um dilúvio destruidor cujo sobrevivente chama-se Utnapishtim em vez de Noé.

O dilúvio no épico de Gilgamesh
(após a morte de Enkidu, o grande amigo de Gilgamesh...)
Tendo ficado bastante perturbado com a morte do seu grande amigo, Gilgamesh foi à procura da imortalidade. Lembrou-se que o seu antepassado Utnapishtim tinha alcançado a vida eterna, porque os deuses o tinham salvo de um dilúvio e lhe tinham concedido imortalidade. Depois de uma viagem atribulada, Gilgamesh consegue então uma entrevista com Utnapishtim, que lhe conta a sua história: 
“Eu vivia em Shurrupak e era fiel a Ea, o deus da água. Entretanto, a deusa Ishtar começou a promover o disturbio e a guerra entre os homens. De tal modo os homens ficaram desassossegados, que os deuses nem podiam dormir, até que Enlil o deus da guerra disse aos outros: ‘Afoguemos toda a raça dos homens, pois nos tiraram o sossego!’. Mas Ea avisou-me a tempo, sussurando ao vento, de modo que eu construi um barco onde coloquei toda a semente de coisas vivas. De modo que levei a minha família bem como um casal de cada animal para dentro do barco. Durante seis dias e seis noites choveu. No sétimo dia a tempestade acalmou e por fim o barco encostou no cimo de um monte. Para verificar se as águas tinham baixado, soltei primeiro uma pomba, depois uma andorinha e depois um corvo. Os primeiros regressaram, mas o corvo não, porque tinha encontrado um local para pousar. Então, em agradecimento, ofereci um sacrifício aos deuses. Mas Enlil ao sentir o cheiro agradável do fumo do sacrifício ficou furioso e disse: ‘Escaparam alguns daqueles mortais. Quem os avisou?’. Então Ea replicou: ‘O dilúvio foi um castigo severo demais para a humanidade. Pelo menos este homem merecia ser poupado. Não o avisei, ele teve um sonho’. De modo que Enlil amansou e tocou-me na testa e também à minha mulher e ficámos imortais como os deuses.” 
Depois de relatar o dilúvio, Utnapishtim indicou a Gilgamesh o local onde brotava a planta que garantia a vida eterna. Gilgamesh colheu a planta e levou-a para Uruk, a sua cidade, decidido a experimentá-la mas, enquanto fez uma pausa para se banhar numa lagoa, veio uma serpente e comeu a planta.

Os que crêem literalmente no relato de Génesis, defendem que os sumérios escreveram esta história como uma versão modificada do verdadeiro acontecimento.



O Dilúvio no Génesis

Na versão do Antigo Testamento, o dilúvio acontece porque Yahveh deplorou ter feito a criação, afirmando: “Destruirei da face da terra o homem que criei, tanto o homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito” (Génesis 6:6-7). Temos, portanto, um deus claramente decepcionado e arrependido da sua criação. Por outro lado, Yahveh afinal deixa o Homem e os animais sobreviverem, revelando-se um deus inseguro face às suas próprias decisões.

Quando Noé apeou-se da arca, fez ofertas de animais em sacrifício queimado a Deus.
Génesis 8:20-21 Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar. Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer.

Claro que Noé não se preocupou com o facto de os animais da Terra estarem à beira da extinção, porque apenas salvou um macho e uma fémea de cada espécie, embora dos animais para sacrifício tenha salvo sete pares de cada espécie. Correu esse risco apenas para Deus sentir “um suave cheiro” a carne assada (e no livro Levítico, Yahveh é retratado como um ser obcecado pelo “cheiro repousante” da carne assada...)!

A narrativa bíblica do dilúvio também menciona o aparecimento do primeiro arco-íris, como se até esse momento as leis da refracção da luz não existissem ou nunca se tivessem manifestado (Génesis 9:12-16)!

Mais sobre o dilúvio na Bíblia: o texto sobre o dilúvio em Génesis nos capítulos 6 a 9 pode ter sido redigido a partir de duas versões distintas,


Os Egípcios

Na cronologia do Antigo Testamento, o Dilúvio ocorreu no Anno Mundi (calendário segundo a Criação) de 1656.


Passagem
Evento
Data (Anno Mundi)
Génesis 1-2 
Deus cria tudo
0
Génesis 5:3 
Adão é pai de Set aos 130
0 + 130 = 130
Génesis 5:6 
Set é pai de Enos aos 105
130 + 105 = 235
Génesis 5:9 
Enos é pai de Cainan aos 90
235 + 90 = 325
Génesis 5:12 
Cainan é pai de Maalalel aos 70
325 + 70 = 395
Génesis 5:15 
Maalalel é pai de Jarede aos 65
395 + 65 = 460
Génesis 5:18 
Jared é pai de Enoque aos 162
460 + 162 = 622
Génesis 5:21 
Enoque é pai de Matusalém aos 65
622 + 65 = 687
Génesis 5:25 
Matusalém é pai de Lameque aos 187
687 + 187 = 874
Génesis 5:28 
Lameque é pai de Noé aos 182
874 + 182 = 1056
Génesis 7:6 
O dilúvio começa aos 600 anos de Noé.
1056 + 600 = 1656



Segundo grande parte da literatura fundamentalista judaico-cristã, a Criação ou o início do calendário Anno Mundi corresponde ao ano 4000 AEC (com pequenas variações). Isto quer dizer que o Dilúvio, segundo a cronologia fundamentalista, ocorreu por volta de 2350 AEC (Anno Mundi 1656).

Mas por volta desta data já florescia a civilização egípcia, tendo continuado durante séculos. Ou seja, vejamos o absurdo:
-     os egipcios desenvolveram a sua civilização até 2350 AEC;
-     veio o Dilúvio e todos os egípcios morreram - as pirâmides e outras edificações ficam submersas;
-  depois do Dilúvio, descendentes de Noé tornaram-se egípcios e continuaram a civilização egípcia (!!!);


Outras questões

Para finalizar, ficam algumas questões:

-  Se morreram todos os humanos que estavam fora da arca, isso foi porque não havia mais nenhuma outra embarcação no mundo inteiro?
-     Como sobreviveram os peixes de água doce, uma vez que um dilúvio global causaria a mistura de águas oceânicas com águas fluviais?
-      Como sobreviveu a vegetação submersa?
-      Como sobreviveram os anfíbios, que necessitam tanto de meio aquático como de terra seca?


2 comentários:

  1. DAQUI SÓ PROVA QUE TU VAI MORRE COMO OS QUE MORRERAM NO DILUVIO. DEUS CASTIGA E SALVA - VOCE ESCOLHE!!!

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