quinta-feira, 16 de março de 2017

Século I - Justus de Tibérias desconhecia Jesus




Justus de Tibérias - nada sobre Jesus

Justus, filho de Pistus, nasceu em Tibérias (cidade também designada por Tiberíades), uma cidade altamente helenística (de cultura grega) da Galiléia, e era um homem bastante instruído. Ele era amigo íntimo do tetrarca (governante-rei) Agripa II e tornou-se um dos principais cidadãos da sua cidade natal. Justus viveu no século I e era contemporâneo de Flávio Josefo.

Durante a Primeira Guerra Judaico-Romana (66-73 d.C.), ele entrou em conflito com Josefo, que serviu como líder militar na Galiléia. Quando os romanos reconquistaram a Galiléia (67 d.C.), Justus procurou protecção junto de Agripa. Vespasiano, que liderava as tropas romanas, exigiu que Justus fosse morto, mas Agripa o poupou e simplesmente o aprisionou. O tetrarca até mesmo nomeou Justus como seu secretário, mas depois o dispensou como pouco confiável.

Justus escreveu uma história sobre a guerra em que culpou Josefo pelos problemas na Galiléia, acusando-o de traição. Ele também retratou o seu antigo protector Agripa de modo desfavorável, mas só publicou o trabalho depois da morte deste. Justus também escreveu uma crónica sobre o povo judeu desde o tempo de Moisés até ao tempo de Agripa II. Ambos os seus trabalhos só sobreviveram em fragmentos.

Flávio ​​Josefo, rival de Justus, criticou o relato deste sobre a guerra e defendeu sua própria conduta na obra "Autobiografia", de cujas passagens polémicas deriva-se a maior parte do que se pode saber sobre a vida de Justus.

Mas a referência mais interessante sobre Justus foi aquela deixada pelo patriarca Photius de Constantinopla do século IX. Este líder da igreja oriental teve acesso à obra completa de Justus e deixou registado o seu desagrado por este autor não ter relatado nada sobre Jesus.


Photius de Constantinopla

Photius I de Constantinopla (820-893 d.C.) foi o patriarca de Constantinopla entre 858 e 867 e, novamente, entre 877 e 886. Ele é reconhecido pela Igreja Ortodoxa como São Fócio, o Grande.

Photius é considerado o mais poderoso e influente patriarca de Constantinopla desde João Crisóstomo e como o mais importante intelectual de seu tempo.

O mais importante dos trabalhos de Photius é a sua famosa Bibliotheca ou Myriobiblon, uma colecção de extractos e resumos de 280 volumes de autores clássicos (geralmente citados como Códices), cujos originais estão agora em grande parte perdidos. O trabalho é especialmente rico em citações de historiadores.

Photius citou a obra de Justus de Tibérias, realçando que, estranhamente, Justus não escreveu nada sobre Jesus Cristo! O patriarca acrescenta que esse seria o comportamento expectável de Justus porque... ele era judeu!
Vejamos o que Photius registou:
Photius sobre Justus em Bibliotheca 
XXIII. Leitura da Crónica de Justus de Tibérias, intitulada "Uma Crónica dos Reis dos Judeus na forma de uma genealogia, por Justus de Tibérias". Ele veio de Tibérias, na Galiléia, da qual tomou seu nome. Ele começa sua história com Moisés e leva-o até a morte do sétimo Agripa da família de Herodes e o último dos Reis dos Judeus. Seu reino, que lhe foi concedido por Cláudio, foi estendido por Nero, e ainda mais por Vespasiano. Ele morreu no terceiro ano de Trajano, quando a sua história termina. O estilo de Justus é muito conciso mas omite uma parte que é de extrema importância. Sofrendo da culpa comum dos judeus, a qual raça pertence, nem menciona a vinda de Cristo, os eventos de sua vida, nem os milagres realizados por Ele. Seu pai era um judeu chamado Pistus; O próprio Justus, segundo Josefo, era um dos homens mais rebeldes, um escravo do vício e da ganância. Ele era um adversário político de Josefo, contra quem se diz ter inventado várias calúnias; Mas Josefo, embora em várias ocasiões tivesse seu inimigo em seu poder, apenas o castigou com palavras e o deixou ir livre. Diz-se que a história que ele escreveu é em grande parte fictícia, especialmente onde ele descreve a guerra judaico-romana e a captura de Jerusalém.


Considerações Finais

Justus de Tibérias é apenas mais um autor do século I que desconhecia Jesus. Ele era do século I, da Galiléia - Jesus também era alegadamente do século I, da Galiléia e é descrito nos evangelhos como uma pessoa famosa.
Justus escreveu uma obra extensa sobre a história do seu tempo, mas não registou nada sobre Jesus.

Outros autores que deveriam ter escrito sobre Jesus, se Jesus tivesse existido:
 - Flávio Josefo
 - Filo de Alexandria

Artigos relacionados:
 - Século I - Reconstruindo a História
 - Século I - Quem era o Jesus do ano 62?
 - Século II - Tácito, Suetónio e Plínio o Jovem

Referências:
 - https://en.wikipedia.org/wiki/Photios_I_of_Constantinople
 - https://en.wikipedia.org/wiki/Justus_of_Tiberias
 - http://www.tertullian.org/rpearse/justus.htm
 - http://sacred-texts.com/jud/josephus/autobiog.htm


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