sábado, 19 de janeiro de 2013

Evangelhos - Considerações Finais





Para finalizar a leitura dos evangelhos, vamos analisar e comparar a interpretação tradicional acerca da historicidade de Jesus.

O que a tradição diz
O que os textos mostram
Os quatro evangelhos são testemunhos independentes de acontecimentos do século I.
Os evangelhos não mostram ser testemunhos de acontecimentos e mostram que não são independentes.
Jesus era muito famoso e era seguido por multidões na Galileia e na Judeia
Marcos mostra um Jesus muito discreto; de tal modo que as pessoas nem sabiam quem ele era – pensavam que ele era João Baptista (Marcos 8:27-28)
Jesus foi traído por um discípulo, Judas, que indicou quem ele era para ser capturado
Jesus não andava escondido e se fosse famoso não era necessário um traidor para o identificar


Hipótese - Os evangelhos não narravam acontecimentos.
Narravam originalmente uma alegoria sobre uma personagem mítica – o Cristo filho do Deus dos Hebreus.

No entanto, quando alguém escreveu (ou re-escreveu) uma alegada biografia de Jesus Nazareno, como ensinamento do cristianismo, por volta do ano 70, teve de incluir uma explicação do porquê de ninguém até aquela data ter conhecimento da existência desse homem que supostamente teria vivido uns quarenta anos antes.

Quais são os argumentos incluidos no evangelho para justificar a personagem de Jesus ser desconhecida do público?
-          Jesus era discreto - sempre que fazia alguma cura milagrosa dizia para não se falar disso;
-          as pessoas que viam Jesus em eventos públicos pensavam que ele era João Baptista;
-          nem as autoridades o conheciam - Jesus era tão desconhecido que foi necessário uma pessoa do seu círculo de amigos (Judas) para o entregar.

Para melhor entender que o autor de "Marcos" teve de lidar com a situação de como descrever uma personagem que era completamente desconhecida, vejamos em pormenor um dos textos chave:

Marcos 8:27-30 ... e no caminho [Jesus] interrogou os discípulos, dizendo:  - Quem dizem os homens que eu sou? 
Responderam-lhe eles:  - Uns dizem: João, o Batista; outros: Elias; e ainda outros: Algum dos profetas. 
Então lhes perguntou:  - Mas vós, quem dizeis que eu sou? 
Respondendo, Pedro lhe disse:  - Tu és o Cristo. 
E ordenou-lhes Jesus que a ninguém dissessem aquilo a respeito dele.

Marcos diz, nesta passagem:
-          as pessoas que viam Jesus em eventos públicos não sabiam quem ele era e presumiam que ele era João Baptista ou qualquer profeta do Antigo Testamento;

-          Jesus insiste para que os discípulos não divulguem que ele é uma nova personagem e que é o Cristo.


Hipótese - Fases da escrita dos evangelhos
Fase 1 – criação de narrativas simples sobre a Paixão: o Cristo, filho de Deus, é torturado, crucificado (ou pendurado), morto e ressuscitado (tudo isto acontece num mundo mítico, celestial – não em Jerusalém).

Fase 2 – expansão do texto para um personagem chamado Jesus para ser uma alegoria humana do Cristo – integração da narrativa com personalidades políticas da época (Pilatos, Herodes, João Baptista) – p.ex. Marcos

Fase 3 – embelezamento e expansão de textos anteriores: p.ex. Mateus e Lucas

Fase 4 – harmonização – a partir do momento em que os evangelhos começaram a circular em conjunto foi necessário eliminar contradições onde possível



Não perca os próximos artigos a publicar sobre Actos dos Apóstolos.

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