Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Os babilónios atacam Judá


Os babilónios

Nabucodonosor, por volta de 590 AEC, depois de derrotar os assírios (e o seu aliado egípcio, o faraó Necau), cercou e destruiu Jerusalém, deportando a elite dos judeus para Bablilónia, a capital do império, para serem servos.
Os judeus desenvolveram uma tal aversão pelos babilónios que a palavra Babilónia tornou-se para eles sinónimo de “repugnância”. O Salmo 137 é ilustrativo, especialmente a parte final:
Salmos 137
Junto aos rios de Babilônia, ali nos assentamos e nos pusemos a chorar, recordando-nos de Sião.
Nos salgueiros que há no meio dela penduramos as nossas harpas, pois ali aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções; e os que nos atormentavam, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos um dos cânticos de Sião. Mas como entoaremos o cântico do Senhor em terra estrangeira? ...
Ah! filha de Babilônia, devastadora; feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós; feliz aquele que pegar em teus pequeninos e der com eles nas pedras.

O que os israelitas mais desejavam em relação aos babilónios era que se espatifassem as criancinhas destes contra os rochedos (dá para entender porque é que, 2.500 anos depois, os israelitas e os iraquianos ainda andam ressentidos uns com os outros...).

Livro de Daniel

O livro de Daniel assume-se como tendo a mais exacta descrição do período de exílio babilónico, insinuando-se como tendo sido escrito nessa mesma época pelo protagonista da história, Daniel, um suposto exilado. Grande parte do texto de Daniel tem tom profético, fazendo previsões históricas para os quatrocentos anos que se seguiram ao dominio babilónico. Com algum esforço de interpretação, estas previsões proféticas podem encontrar algum paralelo com os acontecimentos históricos entre 530 e 160 AEC.
O que leva a suspeitar que Daniel é mais um livro fraudulento, escrito muito depois do tempo que pretende (séculos depois), é que o texto indica que o autor possuia um conhecimento mais detalhado sobre o “futuro” (o pós-babilónico) do que sobre o “presente” (a ocupação babilónica).
Daniel é um dos grandes suportes da doutrina das Testemunhas de Jeová, o conhecido grupo proselitista controlado por uma multinacional de edição de publicações, a Watchtower Society. Este grupo religioso utiliza os números e a cronologia bíblica com uma obcecada minúcia nas suas previsões de datas proféticas. Para além disso, estendem o alcance das “profecias” de Daniel até ao tempo de Jesus e... até aos nossos dias:
-          afirmam que Daniel tinha previsto a data da apresentação Jesus ao público (o baptismo) e a sua morte;
-          segundo as profecias de Daniel, Jesus já começou a reinar no céu desde 1914 EC (a explicação para o eclodir da Guerra Mundial nesse ano é inspirada no Apocalipse, onde está escrito que haveria uma batalha no céu e Satanás seria empurrado para a Terra causando grandes problemas aos homens);

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