domingo, 22 de janeiro de 2012

O período entre Testamentos




Nas próximas secções vamos debruçar-nos sobre o período que não tem representação no Antigo Testamento canónico, recorrendo, no entanto, a alguns livros deuterocanónicos como, por exemplo, Macabeus e também aos registos da História secular.

Data (AEC)
Acontecimentos relativos à Palestina
330
As conquistas de Alexandre Magno incluem os territórios da Palestina.
323
O Egipto e a Palestina ficam nas mãos de Ptolomeu I Soter (Lagus), companheiro de Alexandre.
203
Os selêucidas, que dominam o Médio Oriente, tomam a Palestina.
175
O rei selêucida, Antíoco IV Epifâneo, decreta a proibição total do judaísmo e a obrigatoriedade do culto dos deuses olímpicos.
165
Os irmãos macabeus são vitoriosos sobre os selêucidas e dominam a Palestina.
134
João Hircano, filho de Simão Macabeu, inicia a dinastia dos reis asmoneus.
63
O general romano Pompeu acaba com a dinastia dos asmoneus.


Alexandre Magno

Cerca de 330 AEC, um jovem conquistador, num curtíssimo espaço de tempo, levou a uma grande parte do mundo conhecido a cultura e civilização gregas, criando o chamado império helénico. Este império durou pouco tempo porque o jovem conquistador, Alexandre o Grande, filho de Filipe II da Macedónia, morreu aos trinta e dois anos, mas as suas influências perduraram por séculos. As conquistas de Alexandre incluiram os territórios palestinos que estavam sob domínio persa.

Assim, os judeus obtiveram também a sua quota de cultura grega. Uma das novidades que a cultura grega introduziu no judaismo foi o platonismo com a sua doutrina da imortalidade da alma. A partir desta fusão de culturas começaram a aparecer muitas variantes do judaísmo, apesar de sempre se manter um forte núcleo ortodoxo ou conservador. Por exemplo, no tempo de Jesus, os fariseus praticavam uma variante do judaísmo na qual a ressurreição fazia parte das suas crenças, mas os saduceus eram conservadores da tradição.

Antes da helenização, a preocupação religiosa dos judeus estava apenas ligada à sobrevivência da tribo, da raça e da nação judaica. O judeu devoto queria apenas ter uma existência materialmente confortável e honrada enquanto fosse vivo e deixar boas condições para os seus descendentes. Não tinha a mínima preocupação com uma salvação individual relacionada com uma ressurreição ou com uma vida eterna.


Os reinos e impérios helenísticos

Com a morte de Alexandre, em 323 AEC, o império conquistado foi dividido entre os seus principais generais:
-          Antigono I Monoftálmico (zarolho) ficou a dirigir uma parte do império centrado na Macedónia;
-          o Egipto, a Palestina e a Cirenaica (parte da actual Líbia) ficaram nas mãos de Ptolomeu I Soter (ou Lagus, a cuja dinastia veio a pertencer a famosa Cleópatra);
-          os territórios da Ásia ficaram sob o domínio de Seleuco I Nicátor, fundador da dinastia selêucida; posteriormente, por volta de 203 AEC, os selêucidas tomaram a Palestina ao reino Ptolomaico.



Antigo Testamento em grego - Septuaginta

Ptolomeu II Philadelphus (rei de 285 a 246 AEC), filho de Ptolomeu I Soter, foi o responsável pela criação da Septuaginta (ou versão LXX), a tradução grega do Antigo Testamento. Existia, em Alexandria do Egipto, uma larga comunidade judaica fluente em grego e, por outro lado, a Judeia fazia parte do império ptolemaico.

O nome (Septuaginta ou LXX) desta tradução grega das escrituras sagradas judaicas advém da tradição que diz que foram 70 sábios que, a pedido do rei Ptolomeu, traduziram os textos para o grego.


2 comentários:

  1. E eu que inocentemente achava que a introdução do platonismo, nas correntes judaicas, fossem bem posteriores. Muito esclarecedor!

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  2. Mas, sim, um dos mais conhecidos judeus platonistas terá sido Filon de Alexandria que viveu por
    volta do século I (25 aC - 50 dC).
    Mas as sementes do helenismo foram colocadas no mundo judaico desde este tempo das conquistas de Alexandre, gerando grandes divisões entre os judeus.

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