terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Josué (Yeoshua = Iesous = Jesus)




Segundo o livro do Êxodo, Deus tinha incumbido Moisés de libertar os hebreus e de os trazer para a Terra Prometida. Moisés libertou os hebreus mas não conseguiu levá-los para a Terra Prometida, porque esta era habitada por outros povos! Durante décadas, Moisés e os milhares de hebreus libertos viveram em acampamentos sem terem uma terra e sempre sob a ameaça dos povos vizinhos mais fortes e organizados. Muitas vezes o povo via Moisés como uma grande decepção.

Durante esse tempo, Josué, um jovem líder militar, destacou-se com uma vitória sobre os amalequitas que vinham atacar os acampamentos. Estes amalequitas, seriam descendentes de Esaú (Génesis 36:11-16), o irmão gémeo de Jacob (ou Israel), mas, muito antes de Esaú existir, os amalequitas aparecem também como derrotados numa guerra (Génesis 14:7).


As matanças de Josué

Depois da morte de Moisés, o seu sucessor, Josué, tomou a liderança na conquista militar de Canaã (actualmente, a Palestina). Diga-se que esta conquista está descrita no livro de Josué com todos os detalhes de violência e crueldade:

-          O massacre de Jericó (Josué 6) – numa cómica manobra militar, envolvendo o uso de sons estridentes, Josué derrubou as muralhas de Jericó e depois chacinou todos os seus habitantes. Homens, mulheres, novos, idosos e também os animais foram passados pela espada. Apenas uma prostituta colaboracionista chamada Raabe e sua família foram poupados, em retribuição pela traição do seu próprio povo a favor dos hebreus (Raabe é, mais tarde, referenciada no Evangelho Segundo Mateus como sendo trisavó do rei David).

-          Crueldade com Acã e sua família (Josué 7:2-26) – um homem chamado Acã tinha roubado alguns objectos valiosos da pilhagem de Jericó que deveriam ter sido entregues ao tesouro de Yahveh e, por isso, ele e toda a família foram imediatamente apedrejados e queimados.

-          O massacre de Ai (Josué 8:1-25) – doze mil são massacrados em Ai, homens e mulheres. Desta vez Yahveh autorizou Josué e os seus homens a ficarem com o produto da pilhagem (se Acã tivesse esperado só um pouco...).

-          A derrota da coligação dos cinco reis (Josué 10:1-27) – tomando conhecimento dos acontecimentos de Jericó e de Ai, o rei de Jerusalém coligou-se com outros quatro reis para atacar a cidade de Gibeão, que se tinha tornado aliada dos hebreus. A coligação é derrotada pelos soldados israelitas e, principalmente, por uma saraivada de grandes pedras lançadas por Yahveh. Como se não bastasse a matança já infligida ao inimigo, Josué pediu que o Sol não se escondesse para que tivessem mais tempo para continuar o festim de sangue. No fim, os cinco reis esconderam-se numa caverna mas foram apanhados, mortos e pendurados para serem vistos.

-          Muitos reinos massacrados (Josué 10:28-11:20) – numa contínua marcha de violência, Josué continua a matança por muitos pequenos reinos de Canaã e, em muitos destes, não deixa nenhum sobrevivente (ao lado de Josué, qualquer outro tirano pareceria um menino de coro...).

-          O massacre dos anaquins (Josué 11:21-22) – para continuar a conquista da Terra Prometida, Josué toma as terras ocupadas pelos anaquins, uma raça de gigantes, também por via da aniquilação total.


Nestas movimentações militares, Yahveh é o estratega que define o plano de ataque e o transmite a Josué. Depois destes massacres, Josué divide a Terra Prometida pelas tribos de Israel, por sorteio!

Depois de uma leitura do livro de Josué, pensamos perceber que Josué conquistou Canaã numa única campanha com várias batalhas, finalizando com a distribuição das terras às tribos israelitas. No entanto, o primeiro versículo do livro seguinte do Antigo Testamento, Juízes, informa o seguinte:

Juízes 1:1 Depois da morte de Josué os filhos de Israel consultaram ao Senhor, dizendo: Quem dentre nós subirá primeiro aos cananeus, para pelejar contra eles?

Quem escreveu o livro Juízes, nunca soube das façanhas que estão descritas em Josué. O que o versículo de abertura nos informa é que Josué nem sequer se envolveu em batalhas contra os cananeus. A conquista foi realizada depois da morte deste! Enfim, este versículo entra em contradição com uma boa parte das histórias contidas no livro Josué!


Josué e Jesus

O nome Jesus origina-se da transliteração para a língua grega do nome hebraico Josué (heb. Yehoshua, gr. Iesous). Na tradução grega do Antigo Testamento, conhecida como Septuaginta, o nome Josué aparece como Iesous e também é referido nos manuscritos gregos do Novo Testamento com o nome Iesous (Actos 7:45; Hebreus 4:8).

Entre os séculos I AEC e I EC, durante a ocupação romana, parece que este era um nome muito popular entre os judeus. Existiram muitas personagens com o nome Yehoshua que, em relatos escritos em grego, é vertido para Iesous.

Josué, ou Jesus, era um nome que despertava o fervor nacionalista dos hebreus, pois Josué é descrito nos textos, como já vimos, como um eficiente herói militar, conquistador da Terra Prometida. Se tivesse de haver um salvador dos israelitas esse teria de se chamar Jesus.


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