sábado, 21 de janeiro de 2012

A carreira de David




A promoção de David

A subida de David até chegar a rei foi muito atribulada e deveu-se principalmente à aproximação que fez à família real. O primeiro encontro de Saul com David tem dois relatos contraditórios em 1º Samuel:
-          no capítulo 16, David foi chamado para tocar música e entreter o rei Saul;
-          no capítulo 17, Saul conhece David depois de este matar o gigante filisteu chamado Golias.

Saul, começou a recear a pretensão de David ao trono, mas prometeu-lhe a mão da sua filha Mical em troca de cem prepúcios de filisteus, julgando que David ou não conseguia a proeza ou então morreria a tentar. No entanto, David, como deveria saber que casar com uma princesa seria o caminho mais rápido para o trono, foi ao campo de batalha e matou duzentos filisteus, retornando com os respectivos prepúcios (1 Samuel 18:20-27; mas para lhes retirar o prepúcio não era necessário matar os filisteus, bastava convertê-los ao judaísmo...).


A tomada de Jerusalém

Jerusalém ainda era habitada pelos jebuseus quando David tornou-se rei de Israel, mas pouco depois David foi atacá-los para tomar a cidade:
2 Samuel 5:6-8 Depois partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus, que habitavam naquela terra, os quais disseram a David: Não entrarás aqui; os cegos e es coxos te repelirão; querendo dizer: David de maneira alguma entrará aqui. Todavia David tomou a fortaleza de Sião; esta é a cidade de David. Ora, David disse naquele dia: Todo o que ferir os jebuseus, suba ao canal, e fira a esses coxos e cegos, a quem a alma de David aborrece. Por isso se diz: Nem cego nem, coxo entrara na casa.

Os jebuseus, do alto da sua fortaleza, fizeram troça de David dizendo que até cegos e coxos poderiam repelir um ataque dele. O problema é que esqueceram-se que tinham um canal de abastecimento de água que passava debaixo das muralhas, constituindo um ponto fraco que David aproveitou.
Encontramos uma contradição a este relato nos livros de Reis e Crónicas os quais referem que foi o rei Ezequias, descendente de David, que, três séculos depois, construiu a linha de abastecimento de água para Jerusalém:
2 Reis 20:20 Ora, o restante dos actos de Ezequias, e todo o seu poder, e como fez a piscina e o aqueduto, e como fez vir a água para a cidade, porventura não estão escritos no livro das crónicas dos reis de Judá? 
2 Crónicas 32:30 Também foi Ezequias quem tapou o manancial superior das águas de Giom, fazendo-as correr em linha reta pelo lado ocidental da cidade de David. Ezequias, pois, prosperou em todas as suas obras.


Rei David ou Gay David?

David acabou por casar-se com Mical, filha de Saul, mas muitos textos parecem indicar que David sentia-se mais atraído por Jónatas, o irmão dela, conforme podemos ler:
-          1 Samuel 18:1 – “... e Jónatas o amou como à sua própria alma”.
-          1 Samuel 20:30 – Saul repreende o filho, chamando-o de “filho de uma perversa”, pela sua “vergonhosa” relação com David;
-          1 Samuel 20:41 – David e Jónatas “beijaram-se um ao outro, e choraram ambos”;
-          2 Samuel 1:26 – David, após a morte de Jónatas, declara num poema “... muito querido me eras! Maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.”


A mulher, Mical

Quanto ao relacionamento de David com Mical, filha de Saul, parece que não foi sempre dos melhores (2 Samuel 6):
-          David dança semi-nu (coberto apenas por um éfode, ou um avental cerimonial) na festa de retorno da arca da aliança de Yahveh, o que desagradou a Mical que lhe dirigiu uma repreensão;
-          talvez relacionado com o facto anterior “Mical não teve filhos, até o dia de sua morte” (2 Samuel 6:23); esta passagem é interessante por entrar em conflito com outra que diz que Mical tinha cinco filhos (2 Samuel 21:8), embora em algumas traduções não apareça o nome Mical mas o nome Merabe (também filha de Saul).

A passagem que menciona os cinco filhos de Mical está integrada num episódio em que David entrega cruelmente dois filhos e cinco netos de Saul aos gibeonitas, inimigos do falecido rei mas aliados de David, para serem mortos para “ajuste de contas de sangue”. Fez, portanto, os filhos e netos de Saul morrerem pelas acções deste, violando uma lei de Yahveh que supostamente deveria estar em vigor desde o tempo de Moisés:
Deuteronómio 24:16 Não se farão morrer os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelo seu próprio pecado.


A mulher, Bate-Seba

Quando a bela Bate-Seba banhava-se, o rei David, seu vizinho, avistou-a do terraço de seu palácio e apaixonou-se. Depois de se informar que ela era casada com Urias, ausente por estar na guerra, David mandou que trouxessem Bate-Seba ao palácio, onde se deitou com ela. Mais tarde, ela informou David que estava grávida. O rei arranjou maneira de Urias regressar da guerra e voltar para casa para que este tivesse relações com a mulher e encobrir o adultério desta. Mas Urias, apesar de ter regressado da guerra e das insistências de David para que fosse para casa, ficou a dormir à entrada do palácio do rei e nunca foi para casa. Por isso, David fez com que o pobre homem fosse enviado de novo para a guerra e desta vez para a frente de batalha para morrer (2 Samuel 11).

David acabou por ficar com Bate-Seba, que lhe deu à luz a criança fruto do adultério. Em punição por esta falta de David, Deus matou-lhe o filho. Mais tarde, Bate-Seba tornar-se-ia a mãe do rei Salomão, o sucessor de David (2 Samuel 12).


A referência messiânica

Como os judeus passaram praticamente toda a sua história subjugados por outros povos e impérios, o rei David é uma referência de identidade e independência nacional.

No Novo Testamento, o autores dos evangelhos tentaram, de certo modo, fazer a ligação entre Jesus e David.

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