domingo, 29 de março de 2009

José, Principe do Egipto




Entre as histórias interessantes de Génesis está a saga de José, filho de Israel e irmão de Judá, que foi para o Egipto como escravo e acabou como príncipe do Egipto, com poderes imediatamente abaixo do Faraó.

A sua saga, um grande marco na epopeia dos hebreus, começa quando os seus dez irmãos (Benjamim, o mais novo ainda não tinha nascido) apercebem-se que ele é o preferido de Jacob e, por inveja, vendem-no a mercadores de escravos.
Resumo de Génesis 37 a 45 (excepto capítulo 38)
José era o filho mais novo e preferido de Jacob. O seu pai gostava tanto dele que lhe ofereceu um casaco muito vistoso ao ponto de despertar o ciúme dos seus 10 irmãos. Para piorar a inveja dos irmãos, José contou que tinha sonhos onde estes se curvavam diante dele. 
Certo dia, quando os irmãos de José pastoreavam as ovelhas, Jacob pediu a José que fosse ter com eles. Quando os irmãos de José o viram chegar, alguns deles queriam matá-o, mas Rubem, o mais velho, impediu-os. Depois de pensarem o que fazer com ele, Judá propôs venderem José por 20 moedas de prata a mercadores de escravos. 
Antes de irem para casa, mataram um cabrito e mergulharam o casaco de José no sangue para fazer crer a Jacob que José tinha sido morto por um animal selvagem. 
José, por seu lado, foi vendido a Potifar, oficial da corte do Faraó do Egipto. Depois de algum tempo, Potifar, satisfeito com o trabalho de José, promove-o a responsável-geral de toda a casa. 
Sendo José um jovem atraente, a mulher de Potifar assediava-o constantemente mas José rejeitava sempre as provocações dela. Um dia, a frustada mulher de Potifar agarrou-o pela roupa, para o obrigar a praticar sexo com ela, mas José fugiu e deixou-lhe a roupa na mão dela. Imediatamente ela começou a gritar, invocando que ele a queria violar. José foi, por isso, encarcerado na prisão. (Podemos encontrar um paralelo deste episódio no épico babilónico de Gilgamesh, onde a deusa Ishtar assedia sexualmente Gilgamesh e, irada com a rejeição, envia o Touro Celestial para tentar matá-lo.) 
Enquanto na prisão, José tornou-se conhecido pelo seu dom de ler sonhos e foi chamado pelo próprio Faraó para interpretar os seus sonhos. Com esta sua estranha habilidade, José conseguiu prevenir uma catástrofe económica no Egipto, aconselhando providências face a uma grande seca que se aproximava. 
Esta acção catapultou José, aos trinta anos de idade, para o segundo mais alto cargo do Egipto, como primeiro-ministro do Faraó. 
Durante o período de carência, todos os povos vizinhos foram pedir comida aos Egípcios, incluido os irmãos de José. Estes, que antes o tinham traído, acabaram por se curvar diante dele. 
Depois de fazer as pazes com os irmãos, acabou por convidar toda a família para ir viver com ele no Egipto. Todo o povo de Israel (e Israel era o próprio pai de José) foi viver para o Egipto. 
José, entretanto, tornou-se pai de dois filhos, Manassés e Efraim (nomes das duas tribos que viriam a tornar-se rivais da tribo de Judá).


É possível que esta lenda tenha surgido, em parte, pela necessidade de explicar como é que os israelitas foram parar ao Egipto (abrir caminho para a lenda de Moisés) e, por outro lado, dar prestígio às tribos de Manassés e Efraim em desfavor da tribo de Judá. Esta possibilidade assenta em dois pontos desta história:
-          Judá vende José como escravo por 20 moedas de prata; isto ilustra a traição da tribo de Judá (os judeus) contra as tribos de Manassés e Efraim.
-         José é retratado como o herói misericordioso que acaba por acolher todas as tribos de Israel.

Depois da morte de José, quando já reinava um novo Faraó, os israelitas são escravizados e, séculos depois, são resgatados por Moisés... mas esta parte já faz parte do livro de Êxodo.


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